A sua única companhia é o velho e leal mordomo Luka, que, em vão, procura convencer a sua senhora a interromper a severidade do seu luto. Mas tudo muda, quando o sossego fúnebre daquele lar é perturbado pela visita inesperada de um credor, que conseguirá muito mais do que uma simples cobrança…
O Urso constitui um óptimo exemplo da mais eficaz dramaturgia de Tchekov – aquela que se situa entre a simplicidade da concentração da acção e das personagens e o território híbrido de humor e ironia, na representação da vida social pequeno-burguesa.
Um Pedido de Casamento
Quando Ivan Vassilyevitch se dirige a casa do “respeitável” Stepan Stepanovitch, para pedir a mão da desejada Natalya Stepanovna, está longe de imaginar que irá enredar-se numa série – hilariante! – de situações que o obrigarão a muito mais do que obedecer simplesmente ao ritual de um pedido de casamento... São outros rituais que a mestria de Tchekov nos mostra!
De facto, Um Pedido de Casamento poderia muito bem intitular-se Tragicomédia de uma Vida Conjugal Anunciada, pois, com apenas três personagens, Tchekov consegue concentrar, com a genialidade da sua dramaturgia, as pequenas misérias, a cobiça, as vaidades e as dissimulações da “pacata” vida conjugal burguesa. E se é certo que o riso desponta com a espontaneidade própria do que é natural, não é menos verdade que esse mesmo riso traz em si uma carga de indelével amargura…
FICHA TÉCNICA
Encenação: Helena Bandos
Personagens e Intérpretes
Tchekov - Luís Antunes
Nicolai - José Carlos Jacinto
"O Urso"
Elena Ivanovna - Rita Nazaré
Luka - José Moreira
Smirnov - João courinha
"Um Pedido de Casamento"
Ivan Vassilyevitch - João Courinha
Stepan Stepanovitch - Artur Marques
Natalya Stepanovna - Ana Jael
Cenografia e Figurinos: José Moreira,Rita Nazaré e João Courinha
Costureira: Manuela Coelho
Construção de Cenários: Carlos Sousa - STI
Sonoplastia: José Bandos
Luz: Gonçalo Marques e Mariana Sousa
Design: www.1bigo.com
ANTON TCHEKOV
Um dos mais famosos novelistas e dramaturgos russos, Anton Tchekov, nasceu em Taganrog em 1860 e faleceu em 1906.
Médico de profissão, Tchekov começou a sua carreira como escritor em 1880, com a publicação de alguns ensaios literários. A partir daí, não demorou muito para que o então desconhecido escritor alcançasse uma extraordinária popularidade, não só pelas suas novelas, mas também pelas suas peças, muitas das quais se tornaram célebres, como As Três Irmãs, Ivanov, O Tio Vânia e a Cerejeira.
Estas três peças formaram o ambiente para a fundação do Teatro de Arte de Moscovo, que foi criado sob o signo do Impressionismo.
Melancolicamente pessimista e aproveitando ao máximo todas as experiências humanas e sociais, Tchekov seria o criador de uma escola literária, a qual encontraria mais tarde, mesmo nos países ocidentais, enorme repercussão.
Os contos de Tchekov, tanto quanto as suas peças, são, em geral, obras-primas que harmonizam perfeitamente a forma e a precisão vocabulares, bem como uma sedutora e correctíssima fluência verbal, sem deixar de conter também um conteúdo lírico dos mais densos.
APOIOS:
Câmara Municipal de Abrantes
STI - Sistemas e Técnicas Industriais, Lda.
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