Dois irmãos. Uma rapariga, um espaço fechado, uma cozinha, um crime. Que corpo é este que se intromete na vida dos dois irmãos? Que tragédia se desenha entre malgas de Corn Flakes e frascos de Nutella? Que serviço militar é aquele para que parte Lev? Que nomes russos são estes, os dos dois irmãos?
“ERICA O que é que sentes por mim?
LEV O quê?
ERICA Estás apaixonado por mim?
LEV Não.
ERICA Tinha medo que estivesses.
LEV Ah. E tu? “
Tragédia de câmara em 53 dias – o subtítulo de Dois Irmãos enuncia deste modo dois dos principais elementos que determinam a extraordinária tensão desta breve peça em 23 cenas: o pequeno número de executantes envolvidos nesta pequena dança macabra e o espaço fechado onde se desenrolará.
A acção desenvolve-se numa cozinha/ num apartamento/ numa cidade, estamos perante uma geografia indefinida: a cidade não tem nome, os pais moram numa aldeia distante onde há um lago e há Outono, ou talvez não. As palavras mentem sem o dizer, as cartas escondem a verdade por trás das invenções. Três personagens, ou talvez duas, apenas. A necessidade de restabelecer uma geometria comprometida num triângulo inicial. E uma cozinha como palco da loucura.
“BORIS Não sei se te estou a perguntar aquilo que queria LEV Não te preocupes, também podemos não falar”
Uma peça breve, enigmática, uma tragédia de um dos autores mais originais do novo teatro europeu.
Adaptação e Encenação Helena Bandos
Personagens e Intérpretes
Lev José Moreira Boris Artur Marques Erica Marta Rodrigues Voz da mãe Rita Nazaré
Ficha Técnica
Cenografia Rui Esteves, Marta Rodrigues e José Moreira Construção e Carpintaria Rui Esteves e Lucio Figurinos e Caracterização José Moreira e Rita Nazaré Luz e Som Mauro Moura e Rui Esteves Assistentes de Palco Rosa Garcia, Rita Nazaré, Susana Cunha e André Alguem Fotografia Rita Pinheiro, José Moreira e Helena Bandos Vídeo Mauro Moura Design José Moreira